Sanções da ONU ao Irã podem voltar em 30 dias
Sanções da ONU ao Irã podem voltar em 30 dias
Sanções da ONU ao Irã podem voltar em 30 dias. Reino Unido, França e Alemanha acionaram o mecanismo de “snapback” do acordo nuclear de 2015, iniciando a contagem regressiva para a restauração de penalidades econômicas suspensas há quase uma década.
Sanções da ONU ao Irã podem voltar em 30 dias
Em carta endereçada ao Conselho de Segurança, o trio europeu – conhecido como E3 – alegou “descumprimento claro e deliberado” por parte de Teerã. O documento afirma que o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido não tem “justificativa civil” e representa “ameaça à paz e segurança internacionais”. Caso nenhum membro do conselho apresente resolução contrária dentro de 30 dias, as sanções da ONU serão automaticamente restabelecidas.
A reação de Teerã foi imediata. Em mensagem ao chefe da política externa da União Europeia, o ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que os europeus “não têm jurisdição legal” para reativar punições e destacou o apoio de Rússia e China. O governo iraniano acusou o passo europeu de “escalada provocativa e desnecessária” que minará o trabalho em curso com a Agência Internacional de Energia Atômica.
O E3 havia oferecido, recentemente, uma extensão da suspensão das sanções caso o Irã cumprisse condições específicas. Segundo o chanceler britânico David Lammy, “nenhum esforço substantivo” foi feito por Teerã para atender às exigências.
As tensões cresceram desde que, em junho, os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas, levando Teerã a impedir a entrada de inspetores da ONU. O acordo original de 2015 – que incluía EUA, UE, China e Rússia – levantou sanções em troca de limites ao programa nuclear. A retirada dos EUA, sob Donald Trump, em 2018, e a reimposição de sanções norte-americanas levaram o Irã a retomar atividades sensíveis.
Washington saudou a iniciativa europeia e declarou, por meio de um porta-voz do secretário de Estado Marco Rubio, estar disponível para “engajamento direto” que leve a uma solução pacífica e duradoura. Já Teerã reiterou disposição para negociações “justas e equilibradas”, desde que encontre “seriedade e boa-fé” nos demais signatários.

Imagem: Internet
Com o relógio em contagem regressiva, diplomatas avaliam que a volta das sanções da ONU ao Irã reduzirá ainda mais as perspectivas de novo acordo e poderá afetar o mercado global de petróleo e o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio.
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Crédito da imagem: EPA