Rodadas secundárias impulsionam founders de startups no Brasil

Rodadas secundárias impulsionam founders de startups no Brasil

Rodadas secundárias impulsionam founders de startups no Brasil

Rodadas secundárias impulsionam founders de startups no Brasil e já se tornaram mais frequentes do que se imaginava, segundo uma pesquisa inédita da Beacon e da Spectra que ouviu 93 empreendedores e 28 investidores.

Rodadas secundárias impulsionam founders de startups no Brasil

O levantamento mostra que as rodadas secundárias – quando parte do aporte vai direto para o bolso dos fundadores em vez de financiar o crescimento da empresa – ocorrem, em 66% dos casos, a partir da Série A, fase em que a startup já confirmou o product-market fit. Mesmo em estágios seed, 34% das companhias recorreram a essa estratégia.

Para Ricardo Duarte, fundador da Beacon, o resultado desmonta o estigma de que vender participação cedo desmotiva o time. “Investidores, family offices e fundadores demonstram interesse evidente nessa alternativa”, afirma.

Um dado relevante é o tamanho da fatia negociada: em 82% das operações, o empreendedor abriu mão de menos de 10% do capital, mantendo alinhamento de longo prazo. “É um mix de preço atrativo, estratégia e paz financeira”, resume Duarte.

Descontos sobre o valuation são comuns. O estudo revela que 46% das negociações secundárias tiveram preço inferior ao da rodada primária, sendo o corte de 10% a 20% o mais frequente, citado por 23% dos respondentes. Para André Maciel, sócio da Volpe Capital, “comprar com desconto beneficia o fundo e reduz a ansiedade do founder”.

Casos práticos comprovam o potencial da modalidade. Fernando Montera Filho, que vendeu a BeCommerce ao Mercado Livre e a Hubster à CloudKitchens, relata que teria conseguido melhor preço pela segunda empresa se não estivesse pressionado financeiramente. Na terceira empreitada, a Doji, o empreendedor pretende calibrar o tempo certo para uma secundária.

Marcelo Lombardo, da Omie, defende que o movimento só faça sentido após a Série A, quando há tese robusta de escala e trajetória clara de crescimento sustentável. “O empreendedor deve buscar expansão; a secundária é consequência de um trabalho bem-feito”, diz.

Especialistas concordam que salários adequados e programas de stock options continuam essenciais para atrair talentos, mas a liquidez parcial oferecida pelas rodadas secundárias pode ser decisiva em um cenário de capital restrito. Daniel Chalfon, sócio da Astella, destaca que o equilíbrio evita que a prática vire “atalho de liquidez” e melhora o ponto de entrada dos fundos.

Em âmbito global, movimentos semelhantes já são consolidados. Relatório da CB Insights aponta crescimento de transações secundárias em mercados maduros, sinal de que o Brasil segue tendência internacional.

No fim, as rodadas secundárias surgem como ferramenta para founders reduzirem risco pessoal, manterem foco na operação e, ao mesmo tempo, permitirem que investidores reforcem participação a condições vantajosas.

Quer entender como esse mecanismo se relaciona com outras formas de financiamento? Confira mais análises em nossa editoria de Economia e Negócios e acompanhe as próximas atualizações.

Crédito da imagem: NeoFeed

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