Migrantes deportados dos EUA chegam a Ruanda sob novo acordo
Migrantes deportados dos EUA chegam a Ruanda sob novo acordo
Migrantes deportados dos EUA chegam a Ruanda sob novo acordo, marcando o início da transferência de até 250 pessoas que serão acolhidas pelo país africano segundo entendimento firmado com o governo de Donald Trump.
Migrantes deportados dos EUA chegam a Ruanda sob novo acordo
O governo de Ruanda confirmou que o primeiro grupo de sete migrantes, “vetted” pelas autoridades norte-americanas, desembarcou em Kigali em meados de agosto. De acordo com a porta-voz Yolande Makolo, quatro decidiram permanecer no país e três preferiram regressar aos seus países de origem. As nacionalidades não foram divulgadas.
A medida integra a política de deportação em larga escala defendida por Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro. Até o momento, pelo menos uma dúzia de nações concordou em receber pessoas expulsas dos Estados Unidos.
Segundo Makolo, Ruanda garantirá “apoio e proteção adequados” aos recém-chegados, que estão alojados por uma organização internacional e serão acompanhados pelo Organização Internacional para as Migrações (OIM) e por serviços sociais locais. A OIM informou, à agência AFP, que já avaliou necessidades básicas dos migrantes.
Direitos humanos e histórico de acolhimento
Entidades de direitos humanos alertam que deportações podem violar normas internacionais se houver risco de tortura ou abusos nos destinos finais. Makolo rebate as críticas lembrando que “quase todas as famílias ruandesas já vivenciaram deslocamentos” e aponta a experiência do país em operações anteriores.
Entre 2019 e abril de 2025, cerca de 3.000 refugiados deixaram a Líbia para Ruanda por meio de um acordo tripartite com a ONU e a União Africana. Grande parte foi posteriormente reassentada em terceiros países, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).
Parcerias anteriores e questões financeiras
Ruanda firmou em 2022 um pacto semelhante com o Reino Unido, que acabou cancelado após a posse do primeiro-ministro Sir Keir Starmer, apesar do repasse britânico de £240 milhões (US$ 310 milhões) para infraestrutura de acolhimento. Não se sabe se o novo acordo com Washington prevê compensação financeira.

Imagem: Internet
Em paralelo, a administração Trump mediou em junho um tratado de paz entre Ruanda e República Democrática do Congo, parte de um esforço para encerrar três décadas de instabilidade e atrair investimentos nos minerais da região.
Com a chegada desse primeiro grupo, Kigali se prepara para receber os demais deportados nos próximos meses, mantendo o compromisso de oferecer condições de segurança enquanto as críticas internacionais persistem.
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Crédito da imagem: Getty Images