Megaoperação contra o PCC usa ‘follow the product’

Megaoperação contra o PCC usa ‘follow the product’

Megaoperação contra o PCC usa ‘follow the product’

Megaoperação contra o PCC usa ‘follow the product’ para rastrear, passo a passo, a cadeia dos combustíveis e identificar um esquema de fraude fiscal avaliado em R$ 7,6 bilhões, envolvendo empresários, transportadoras e fintechs.

Estratégia detalha movimentação de combustíveis e dinheiro

Enquanto o já conhecido “follow the money” acompanha transações financeiras, a Polícia Federal e a Receita Federal ampliaram o foco com o follow the product, técnica que monitora o percurso físico de produtos até localizar a origem do dinheiro ilícito. O método permitiu mapear o desvio de nafta petroquímica, metanol e diesel, importados irregularmente e usados na formulação clandestina de combustíveis.

Na quinta-feira, 28 de agosto, foram expedidos 14 mandados de prisão; oito dos alvos são empresários do setor, como Mohamad Mourad, Roberto Augusto Leme e Ítalo Belon. De acordo com a investigação, terminais portuários, transportadoras e postos de gasolina formavam um braço logístico que adulterava ou simulava a venda de 13 bilhões de litros em 2022, volume suficiente para abastecer toda a frota nacional por três semanas.

Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o crime organizado movimenta R$ 146,8 bilhões por ano; 61,4 % vêm dos combustíveis. As perdas fiscais alcançam R$ 23 bilhões anuais, agravadas pela inexistência de um sistema integrado de rastreamento no setor, que conta com 43 mil postos — 47 % de “bandeira branca”.

Concorrência desleal e impacto econômico

Para o professor da FGV-SP Luciano Godoy, ex-juiz federal, a participação do PCC transforma sonegação e lavagem em práticas sistêmicas, corroendo a confiança no mercado. Como o combustível é consumido, não deixa rastros físicos, o que facilita a ocultação. Além disso, a falta de exigência de nota fiscal pelo consumidor possibilita a falsificação de documentos e a inserção de recursos ilícitos no mercado formal, muitas vezes por meio de maquininhas e contas de fintechs.

O avanço das autoridades contou com apoio do Ministério Público e das polícias estaduais. Segundo a Polícia Federal, a operação continua para bloquear bens e aprofundar o rastreamento financeiro.

O método follow the product reforça a necessidade de controles mais rígidos na cadeia de combustíveis, sob pena de perpetuar fraudes bilionárias e competição desigual.

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Crédito da imagem: NeoFeed

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