Jornalistas em Gaza relatam exaustão, fome e medo
Jornalistas em Gaza relatam exaustão, fome e medo
Jornalistas em Gaza relatam exaustão, fome e medo enquanto produzem notícias em tendas improvisadas próximas a hospitais, únicos locais com eletricidade e sinal de internet após quase dois anos de guerra.
Jornalistas em Gaza relatam exaustão, fome e medo
Sem acesso regular a água ou banheiros, repórteres como Abdullah Miqdad, da Al-Araby TV, descrevem as tendas como “estufas no verão e refrigeradores no inverno”. A escolha dos hospitais não garante segurança: na segunda-feira (12), um duplo bombardeio israelense ao hospital Nasser, em Khan Younis, matou cinco jornalistas e ao menos 20 civis.
De acordo com o Committee to Protect Journalists (CPJ), 197 profissionais de imprensa morreram desde 7 de outubro de 2023, 189 deles palestinos. Israel nega mirar repórteres, mas reconheceu ter alvejado, em 10 de agosto, a tenda do correspondente da Al Jazeera Anas al-Sharif, alegando ligação dele com o Hamas — acusação não comprovada, segundo o CPJ.
Além do risco constante, a fome é onipresente. Um órgão da ONU confirmou estado de fome em Gaza City, com mais de 500 mil pessoas ameaçadas de inanição. “Um copo de café misturado com grão-de-bico é, às vezes, nossa única refeição do dia”, conta o freelancer Ahmed Jalal, que já foi deslocado várias vezes com a família.
Contratos temporários agravam a vulnerabilidade: muitos novatos, atraídos pela demanda crescente de cobertura, trabalham sem coletes de proteção ou seguro. A correspondente Ghada al-Kurd, que presta serviço à revista alemã Der Spiegel e à BBC, afirma que a categoria se sente “constantemente visada” e relata ter perdido familiares em bombardeios no início do conflito.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o ataque ao hospital Nasser como “acidente trágico”. Já o Exército alegou ter atingido uma câmera “usada pelo Hamas” e identificou seis “militantes” mortos, sem apresentar provas e sem incluir os jornalistas na lista.

Imagem: Internet
Mergulhados em medo, exaustão e luto, repórteres continuam a documentar a crise humanitária. “Sinto-me sufocado, mas não posso parar”, resume Jalal. Para Miqdad, o dilema é permanente: “Se a tenda for atingida, o que faço?”.
Mesmo diante de bombardeios, fome e falta de recursos, os jornalistas de Gaza mantêm a cobertura diária, destacando a urgência de proteção internacional à imprensa.
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Crédito da imagem: BBC