Fazenda usa IA para fiscalizar fintechs e fundos
Fazenda usa IA para fiscalizar fintechs e fundos
Fazenda usa IA para fiscalizar fintechs e fundos de investimento e rastrear transações suspeitas, anunciou nesta quinta-feira (28) o ministro Fernando Haddad.
Fazenda usa IA para fiscalizar fintechs e fundos
Segundo Haddad, a ferramenta de inteligência artificial será treinada para analisar entradas e saídas de recursos, detectar movimentações atípicas e identificar os beneficiários finais das operações. A iniciativa pretende aplicar às fintechs o mesmo grau de escrutínio já praticado no sistema bancário tradicional.
O ministro afirmou que o objetivo é impedir que organizações criminosas lavem dinheiro e ocultem patrimônio via instituições financeiras não convencionais. “Movimentações sem identificação clara, entra e sai atípico, tudo isso nossa IA vai captar”, declarou.
O anúncio ocorreu horas depois de uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), que revelou o uso dessas plataformas para lavar parte dos R$ 52 bilhões movimentados por grupos ilícitos nos últimos quatro anos. As apurações ainda apontam outra rede de transações irregulares que supera R$ 23 bilhões, ligada a adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.
Para reforçar o controle, a Receita Federal voltará a exigir a entrega da declaração e-Financeira pelas fintechs, documento que detalha informações de clientes e operações financeiras. Haddad declarou que “seguir o dinheiro do criminoso” é passo fundamental para enfraquecer a estrutura financeira do crime organizado.
Especialistas avaliam que a automatização poderá acelerar a troca de dados entre Receita, Banco Central e órgãos policiais. O próprio Banco Central já utiliza modelos preditivos para monitorar instituições reguladas, o que deve facilitar a integração com o novo sistema da Fazenda.

Imagem: SERGIO V S RANGEL
A implementação da IA ocorre em meio ao crescimento do setor de tecnologia financeira no país. Relatório da Associação Brasileira de Fintechs indica mais de mil empresas ativas, cenário que, segundo o governo, exige supervisão preventiva sem inibir a inovação.
No curto prazo, a equipe econômica pretende capacitar auditores e ampliar a base de dados usada no treinamento dos algoritmos. “A sofisticação do crime exige que a Receita acompanhe o mesmo ritmo”, concluiu Haddad.
Para acompanhar outras medidas que afetam o mercado e entender como elas impactam seu bolso, leia também nossa editoria de Economia e Negócios e fique por dentro das atualizações.
Crédito da imagem: SERGIO V S RANGEL/Shutterstock